Parece que foi ontem. E ontem fez um mês...
Nunca foi tão intenso...
Nunca passou tão rápido...
Nunca foi tão... Tão...
Parece que foi ontem. E ontem fez um mês...
Tem gente que é tão presente na vida da gente que parece que sempre esteve por perto. Pessoas assim, fazem cinco anos passarem pela lembrança em apenas cinco minutos...
Nada apaga o que ficou. Nada garante o que virá...
Que venham mais dias, mais anos, mais lembranças...
Faz uns dias que eu estava pensando em escrever sobre esse tema: a intolerância na música. Comecei a pensar nisso quando vi uma declaração do Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas, criticando bandas como Fresno e Restart cujos integrantes, segundo ele, são Barbies e não deviam existir. Nessa semana, saiu uma matéria no UOL sobre uma versão de “Back in Black” do AC/DC feita pelos Detonautas, que ganhou uma letra em português criticando a juventude e o cenário musical atual. A tal versão ganhou várias críticas (eu também não gostei) e os Detonautas se revoltaram novamente dizendo: “Adoro ler essas críticas desses roqueiros de gavetas que não fazem p**** nenhuma pelo rock no Brasil. Estamos tentando mudar a cena e vocês nem ajudam, só criticam! Então vai escutar emo nas rádios”. Pergunto: e quem disse que cabe a eles essa mudança de cena? O Tico Santa Cruz participou da “Fazenda”, o reality show da Record. Tem moral pra dizer o que deve ou não aparecer nas rádios e na TV? Porque eu imagino que ele esteja falando desse tipo de cena (TV e rádios super comerciais). Digo isso pelo simples fato de ouvir rádio o dia todo e não ter contato nem com a música que ele critica nem com a dele. E aí é que mora o segredo: cada um ouve e vê o que quiser. Eu não gosto da Fazenda, do BBB e de outras coisas assim, mas quem quiser que veja. Quem quiser ouvir a banda X ou Y, que ouça. Os carinhas do Restart não enganam ninguém. Ou alguém acha que eles tem a pretensão de ser uma mega banda para um público além dos 13 ou 14 anos? A mesma coisa acontece com a insistência do Lobão em descer a lenha em meio mundo: dia desses ele estava malhando o Luan Santana, falando sobre ‘agrobrega’ e coisas assim. Eu não ouço Luan Santana, não gosto desse rótulo de ‘sertanejo universitário’ (ou qualquer outro estilo que venha acompanhado dessa graduação), mas acho que, quem quiser ouvir, faça bom proveito. Repito: ouço rádio e música a maior parte do dia e não tenho contato com músicas e músicos que não me agradam. Basta escolher o que quer ouvir. Curiosamente, me deparei na internet com um nome de banda que me chamou a atenção: “A Banda Mais Bonita da Cidade”. Fui ler uma matéria sobre a tal banda de Curitiba e descobri que está rolando um sucesso na internet graças a um clip simples (a música se chama “Oração”), gravado numa casa com a participação amigos da banda. Como sempre, tem quem goste e quem não goste, e as críticas vieram (viu que não é só com você, Tico?), dizendo, entre outras coisas, que o clip parece um ‘comercial de margarina’. Mas, ao contrário dos Detonautas, a vocalista da Banda Mais Bonita responde às críticas dizendo: “Registramos a festa da banda. Quem puder aproveitar nossa festinha vem, quem não puder pode arranjar outra”. Simples assim. Sem stress.
Moral da história: já pensou se todos gostassem do Chico e ninguém do Latino? Ou só assistissem Café Filosófico e não o BBB? Confesso que seria ótimo se fosse assim, mas não é. E pra isso existe o controle remoto. Que já é remoto pra não ficar na mão de ninguém.
Uma tristeza imensa. Foi isso que eu senti ao fazer o caminho entre meu trabalho e minha casa hoje. Durante o dia, ouvi a notícia da tragédia que aconteceu no Rio (nem sei se “tragédia” serve pra classificar o ato de um cara entrar numa escola e atirar contra crianças). Mas quando voltava pra casa, vendo algumas crianças durante o caminho, a tristeza chegou forte. Cheguei em casa, liguei a TV e ao assistir os noticiários comecei a chorar. Não entendo como pode acontecer algo assim. Como uma pessoa pode atirar em crianças? Atirar pra matar? O que passava na cabeça desse cara? Ontem à noite, assisti pela primeira vez a um filme de Wood Allen, que foi exibido na TV. Dormi contente, achei o filme divertido. Sempre ouvi dizer que Allen é genial, que faz filmes interessantes. Dormi pensando em arte. O ser humano é capaz de fazer coisas geniais: filmes, livros, músicas, pinturas, esculturas, jogadas belíssimas num jogo de futebol. Poucas horas depois, acordei, fui trabalhar e ouço no rádio que um cara invadiu uma escola e matou mais de 10 crianças. Como pode alguns seres humanos fazer coisas geniais e outros coisas tão absurdas?
Ouvi essa num programa de rádio:
"Existem dois tipos de pessoas sinceras: as inconsequentes e as conscientes.
As inconsequentes falam o que pensam. As conscientes pensam pra falar."
Enquanto o povo egípcio tomou conta das ruas para brigar pela libertação do país que estava nas mãos de um ditador há 30 anos, aqui no Brasil uma cambada de baderneiros disfarçados de torcedores (porque pra mim, torcedor é quem torce e não quem faz baderna) promoveu uma cena vergonhosa na entrada do Centro de Treinamentos do Corinthians no último sábado. Aí, fica aquela coisa de “corinthiano é tudo bandido”, quando na verdade a questão são as tais torcidas organizadas (organizadas? Sim, se organizam muito bem para fazer coisas como aquela) e nesse caso, são todos farinhas do mesmo saco: Gaviões, Independente, Mancha Verde, Torcida Jovem...e outras tantas que “fazem e acontecem”. Sou Corinthiano. Sofro com e pelo meu time. Mas em momento algum me imagino fazendo ou apoiando atos como aqueles.
Fico pensando no Egito e no Brasil: se essas reivindicações fossem feitas para a melhoria dos serviços públicos, pra acabar com a falta de saúde dos serviços de saúde, com a falta de vergonha de alguns que cuidam (cuidam?) do país, com a falta de educação de qualidade, enfim, se fosse uma luta que valesse à pena, talvez as coisas aqui fossem melhores...
Mais um começo de ano. Um novo recomeço de sonhos, forças e expectativas. 2010 foi bom? Independente da resposta, que 2011 seja infinitamente melhor. Ontem, último dia do ano, descobri um poema que vou postar aqui como boas vindas ao novo ano. O autor é Thiago de Mello.
ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
FELIZ 2011!!!
Ontem assisti, pela primeira vez, a um show do Gilberto Gil. Depois de uma semana em que toda tarde choveu bastante em São Paulo, o Sol veio com toda sua força pra ver o cantor no palco do Sesc Itaquera, lugar que eu considero o melhor pra shows em locais abertos (ganha de qualquer estádio, arena, parque ou coisa que valha).
A apresentação foi o lançamento do novo CD de Gil, “Fé na Festa”, e o que não faltou foi isso: muita festa. Músicos animados, público dançando tudo quanto era xote, baião e forró cantados por Gil. Eu, que não sei dançar, achei esse um dos shows mais divertidos que eu já vi. O astral estava ótimo! Num determinado momento, Gil disse que estava com 68 anos e eu pensei: a música rejuvenesce. Só pode ser esse o segredo de caras como Gil e Paul McCartney (que eu vi a menos de um mês e está com a mesma idade), que mostram uma vitalidade incrível no palco. Gil cantou, dançou, comandou o público nas palmas sincronizadas, enfim, fez valer a bela tarde de Sol paulistana.
Durante o show, pensei (como nunca havia pensado antes), que tocar, cantar, se apresentar e estar em comunhão com o publico deve ser uma das melhores coisas pra um artista. Creio que é isso que eu, modestamente, gostaria pra minha vida...
Hoje completo 34 anos. Nesse último ano, ao dizer minha idade, ouvi muita gente me dizer “é a idade de Cristo”. Seja lá o que realmente significam os 33 anos, eu passei dessa marca. Cá estou eu, com meus 34, pensando que o Tempo parece mesmo correr cada vez mais rápido. Às vezes acho que é só impressão, mas geralmente tenho essa certeza. Certeza? A única que tenho em relação ao passar dos anos está na cara: esse ano, finalmente, apareceram os primeiros fios brancos em minha barba (nesse momento são seis ao todo).
É interessante pensar no processo de envelhecimento. É algo constante, quase imperceptível, mas exerce um fascínio em mim. Dizem que nada acontece por acaso, mas “por acaso”, ontem, folheando uma revista, li um poema de Pablo Neruda que não fala necessariamente sobre envelhecer, mas sobre “morrer lentamente”. Em alguns termos do poema, talvez eu não esteja apenas envelhecendo (o que é bom), mas também morrendo lentamente (o que é ruim). Preciso rever meu processo de envelhecimento...
Quem Morre?
Pablo Neruda
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções,
justamente os que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade
E pensar que foi sexta-feira passada
Que nós conversamos e demos risada...
Que numa passagem pelo mercadão,
Comemos mortadela com pão...
Que entre uma calçada vazia e ensolarada
E outra com sombra, mas abarrotada,
Você me disse, de forma bem humorada:
“Antes sol do que mal acompanhada”.
Por não saber quando te verei novamente,
Vou entristecendo, gradual e lentamente.
Mas a esperança em te rever me deixa em paz,
Pois você sabe bem o bem que você me faz.
Ontem fui ao show de Paul McCartney. Durante as três horas de espetáculo, meu Beatle preferido mostrou ser um músico talentoso (tocou seis tipos de instrumentos diferentes), um vocalista carismático e um cara bem bacana no palco. Músicas que fizeram/fazem parte da minha história de vida foram tocadas pelo próprio compositor e em alguns momentos tive a lembrança de várias pessoas que conheci (principalmente durante a homenagem que ele fez a George Harrison e que foram exibidas imagens do amigo no telão e imagens dos meus amigos foram brotando na minha memória).
Sir Paul é um artista único no mundo da música. E sou grato pelas músicas que ele compôs e que ontem ouvi com ouvidos, olhos, lembranças e lágrimas.
Sinto mais saudade de você do que deveria,
Mais do que poderia, mais do que gostaria.
Sinto sua falta.
Sinto que algo me falta.
Sinto que nada me basta.
Depois de muito (muito) tempo esperando, terei a chance de ver um show de Paul McCartney, meu Beatle preferido e "dono" do modelo de baixo que eu sempre quis ter (e que, depois de um bom tempo, eu pude ter).
A disputa “virtual” pelos ingressos foi dura (em pouco mais de meia hora já a venda pela internet já estava esgotada), mas consegui!!!
Agora, é esperar o dia 21 de novembro e ver o que esse show me reserva...
Hoje é dia das crianças. Ao sair de casa, as 6 da manhã, vi um menino e uma menina abrindo pacotes da rua. Eram sacos de lixo. Estavam pegando materiais recicláveis antes que o caminhão do lixo passasse. Eram 6 da manhã. Hora da Ave Maria. Hoje, além de ser o dia das crianças, também é o dia da Padroeira. Logo cedo, no feriado, duas crianças trabalhavam tirando recicláveis do lixo.
Um ótimo feriado pra todos.
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