Depois de um mês de férias, conhecendo cada dia um lugar diferente, lá estava ele novamente na sua mesa, no escritório que já conhecia tão bem. O trabalho, que de certa forma tornava todos os dias iguais, tinha sempre alguma coisa diferente, algo que fazia com que a rotina valesse à pena. Uma dessas coisas era aquela mulher, que ele observava através da divisória de vidro. Era todo o dia a mesma mulher, mas ele sempre observava algo diferente em seu visual. No dia de seu retorno, chamou a atenção sua roupa de tons escuros, a blusa preta, colar da mesma cor, que combinava com a calça levemente cinza. Memorizava até calça que ela usava. Em seu “catálogo” as tais eram classificadas como “a que fica melhor com a blusa tal” ou “a sem bolso na frente, com bolso atrás”. No segundo dia, por exemplo, ela usava a calça que para ele era a favorita, uma jeans com botões cor de creme. Mas ele não conseguia tirar os olhos do lenço preto com bolinhas brancas que ela usava no pescoço. Era impossível para ele não fazer um comparativo com o futebol, já que nesse dia ela usava uma blusa verde por cima de uma camisa branca e ele logo pensou: “Até no figurino dela o alvinegro fica acima do alviverde...”, Quando ele achava que ela havia chegado ao auge, ela sempre aparecia com uma surpresa visual. No dia seguinte ao dia das cores futebolísticas, ela apareceu com um belo cachecol, provavelmente feito à mão com um carinho só não maior que o carinho que ele gostaria de fazer com suas mãos no belo pescoço agora coberto pelo tal cachecol. Ele observava tanto essa mulher que ele a considerava próxima, mesmo ela estando distante física e afetivamente. Com essa mulher ele trocava poucas palavras, coisas profissionais ou corriqueiras, do tipo “vai cair uma chuva, né?” ou “o metrô vai entrar em greve”. Mas às vezes, raras vezes, em função do trabalho, ele ouvia um elogio dela. Logo no segundo dia do seu retorno, por exemplo, ouviu um “você é a melhor pessoa que eu conheço para interpretar esses documentos”. Esse comentário fez com que ele ficasse tão sem jeito que seu rosto ficou automaticamente vermelho. Mas tão rápido com que seu rosto voltou à coloração normal, ela voltou ao seu departamento e ele a sua mesa, de onde ele a observava através do vidro, esperando pelo novo diferencial que fazia os dias iguais serem sempre diferentes...
- Andei pensando no que conversamos, e cheguei a uma conclusão: você nunca esteve apaixonada por mim. Sei lá, gosta da minha companhia, de conversar comigo, talvez um dia já sentiu atração por mim, mas apaixonada mesmo, você nunca esteve. Eu sei que você nunca disse que me amava, mas eu sempre acreditei que, no mínimo, você fosse apaixonada por mim.
Quando ele terminou de falar, ela simplesmente respondeu:
- É.
Foi a resposta mais breve, seca e definitiva que ele já ouviu em toda sua vida.
Tal qual um produto exposto numa prateleira de supermercado, muitas vezes somos rotulados.
Rótulos, nos produtos, servem para identificar, informar o conteúdo, diferenciar as marcas e a qualidade.
Quando os rótulos são colocados nas pessoas, elas acabam se tornando menores do que realmente são, acabam sendo limitadas dentro da rotulagem.
- Ta vendo? Tinha que ser torcedor daquele time...
- E aquele cara? Como é histérico, não? Não o imagino de outra forma.
- Não falei que aquela é burguesinha? Mora lá pros lados da Vila Madalena.
-Ah, desse jeitão, só pode ser da zona leste. Olha o tipo...
Não gosto da idéia de “pessoas produzidas em larga escala”. Gosto de camisetas básicas, mas permito-me usar camisetas estampadas. Existem pessoas parecidas, mas não iguais. Rótulos informam sobre produtos, não sobre pessoas.
Amanhã, dia 05/04, faz quinze anos que Kurt Cobain morreu. Me lembro bem de como recebi a notícia: estava ouvindo rádio, a 89 FM (naquele tempo, a "Rádio Rock) e estava prestes a ir pra escola. Eu tinha 17 anos e estava no 3º colegial. O Nirvana era uma das grandes bandas daquela época e junto com o Pearl Jam formava a elite do chamado "Grunge" de Seattle. Era inegável a força daquela banda, que fazia músicas cheias de energia, com um som ao mesmo tempo pesado e melodioso. Seus shows eram verdadeiras surpresas: nunca se sabia se a apresentação seria brilhante e tranquila ou ruim como as que aconteceram aqui no Brasil: no show do Rio, Kurt, visivelmente drogado, mal conseguia cantar as músicas, cuspiu nas câmeras da Globo (que cobria o Hollywood Rock) e saiu se rastejando do palco depois de quebrar os instrumentos (o Nirvana fazia isso habitualmente).
Com toda essa força, o Nirvana deixou seu nome no mundo do Rock, e a morte de Kurt Cobain foi um choque pra quem estava ligado em tudo aquilo. Era muito estranho saber que um cara, líder de uma banda de sucesso mundial, havia se suicidado (há quem diga que a viúva Courtney Love teria "encomendado" a morte de Kurt. Eu, particularmente, não acredito nisso). Não conseguia entender aquilo tudo. Ele morreu com 27 anos, e eu ficava imaginando o quanto intensa foi sua vida e o quanto jovem ele se foi. A poucos dias de completar 29 anos, eu vi o show do Pearl Jam, que veio da mesma cidade e da mesma época do Nirvana e que eu esperei desde então. Hoje, eu tenho 32 anos, cinco a mais que Kurt quando morreu e tenho certeza que uma vida que acaba aos 27 anos é muito curta.
Relembrando o Nirvana; meus 17 anos; esse intervalo de quinze anos desde o suicídio de Kurt Cobain até hoje; todos os shows que vi e as pessoas que perdi (conhecidas pessoalmente ou não), me sinto meio que um sobrevivente. Como um bom trintão, devo concluir que é uma pena que não se fazem mais bandas como há quinze anos atrás.
De onde será que surgiu essa história de que o ano só começa depois do carnaval
?
Eu estou trabalhando ( e muito) desde o início cronológico do ano, ou seja, desde 2 de janeiro (afinal, 1º de janeiro é feriado...
).
Será que essa história só vale para os foliões? Se for, entro numa escola de samba hoje mesmo
!!!
Procure realizar todos os seus desejos
Aconchegue-se ao redor de coisas boas
Resmungue sempre que desejar (mas só um pouco, por favor)
Aumente o volume ao ouvir suas músicas favoritas (geralmente elas são muito boas)
Banquete com peixe em datas especiais pode (e uma dose de chocolate também)
Encontre os velhos e novos amigos (acredite: eles podem aparecer do nada, até na rua)
Não se preocupe com os problemas (eles acabam mantendo sua mente em pleno funcionamento)
Sinta-se à vontade pra dizer o que gosta e o que não gosta (espero estar na primeira lista)
Por quê? Deve ter um porquê. ![]()
Isso deve ter um porquê.
Você deve ter um porquê.
Eu devo ter um...
Tudo...
Ter um porquê é um dever? ![]()
Era uma pessoa extremamente crítica. Com tudo e com todos. Gostava de debater sobre teorias e questões que muitas vezes eram inocentemente levantadas por outras pessoas. Não conseguia se manter indiferente perante alguns assuntos. Por conta dessa característica, estava quase sempre de mau humor, afinal, não é fácil ter uma inteligência acima da média.
Um dia ela descobriu sua essência: era uma pessoa chata. Passou um tempo repetindo pra si mesmo que era chata, simplesmente chata. Não uma chata de galochas, pois galochas não combinavam com seu vestuário, e ela gastava um bom tempo pensando na combinação do que iria vestir, assim como gastava muito tempo tentando combinar os vários pensamentos que passavam em sua cabeça ao mesmo tempo. Também não era uma chata "crônica", em tempo integral, das que adoram chatear outros. Na verdade, ela chateava a si mesma. Não queria ser do jeito que era, mas não sabia ser diferente. Queria ser menos implicante, menos agressiva, enfim, menos chata.
O que ela não havia percebido é que uma pessoa chata que tivesse suas características poderia ser comparada com um objeto chato, como um disco de vinil, por exemplo. Aí apareceriam diferenças e semelhanças. Uma diferença: um disco de vinil é raso, superficial, que não era o caso dela. Muito pelo contrário, era uma pessoa de uma profundidade ímpar, dona de vários conteúdos. Uma semelhança: como um bom disco de vinil, tinha dois lados distintos. Era explosiva e mal humorada, mas também inteligente, sincera e, quando queria, era adorável sem fazer esforço.
Disco de vinil tem um ruído característico, um chiado que às vezes lembra o que faz uma pessoa chata:
- Você já ta chiando por quê? Que chata...
Conheço pessoas que são apaixonadas por disco de vinil, por produzir um som mais intenso e verdadeiro. Um bom disco que vinil sempre é lembrado nas listas dos melhores discos de todos os tempos e alguns artistas estão cogitando produzir novamente discos de vinil.
Os discos de vinil são peças raras e valiosas, assim como uma pessoa adoravelmente chata.
Hoje é 06 de janeiro, "Dia de Reis", segundo a tradição católica. É o dia que se desarmam as árvores de natal e outros enfeites natalinos. Mas não é sobre reis que vou falar (apesar de falar sobre poder), ou sobre catolicismo que vou escrever (apesar de falar a respeito da Terra Santa), nem sobre enfeites mas sim sobre outro tipo de desarmamento. É sobre o conflito entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza.
Não quero expor aqui a defesa de nenhum dos lados, não acredito que existam certos ou errados numa situação como esta. O que me chama a atenção é a certa inutilidade da ONU em casos como este. Eu aprendi na escola que a ONU servia, entre outras coisas, para mediar conflitos internacionais, e hoje sei que isso é mais uma balela que aprendíamos (será que hoje ainda é assim?) na escola.O Conselho de Segurança da ONU foi vetado pelos EUA a pedir um cessar fogo israelense. Essa interferência americana já me chamou a atenção quando Bush resolveu invadir o Iraque e passou por cima de um pedido da ONU para que a invasão não acontecesse. Por essas e outras que volta e meia o mundo presencia uma onda anti americana.
Até quando o mundo vai encarar conflitos como esse? Até quando os EUA serão mais poderosos que a ONU? Até quando teremos mísseis e bombas iluminando o céu em épocas que deveríamos presenciar somente fogos de artifício no ano novo?
Os três Reis Magos foram santificados. Seja pela interferência de santos católicos, palestinos, judeus, budistas ou até ateus, alguma coisa tem que ser feita.
Contrato...
Parceria...
Casamento...
Sociedade...
Pode se dar o nome que quiser quando duas pessoas têm uma vontade em comum.
Mas quando só uma pessoa tem vontade, eu não sei nomear.
Acho que são só idéias. Ou ideais.
Talvez eu não precise ser maior,
Nem ir além ou ganhar mais,
Nem ser menos comum.
Talvez minha vida já me sirva do jeito que é...
Dona de uma meiguice agressiva
,
Não aceitava uma idiotice
De maneira passiva
.
Tinha uma agressividade meiga
,
Não era tolerante
Com minha conversinha leiga
.
Faz tempo que não pego palavras emprestadas para colocar no IDÉIAS E IDEAIS, e dessa vez vou usar a letra de uma música que conheci esses dias e que apesar da simplicidade,me pegou de jeito (acho que me identifiquei com algo, sei lá...).
A música se chama "Janta", é do CD solo de Marcelo Camelo, vocalista do Los Hermanos, e tem a participação da Mallu Magalhães, uma garota de 15 anos que canta um folk bem bacana. A música pode ser baixada no Emule, ou ouvida em www.myspace.com/marcelocamelo . Espero que gostem.
"Janta" - Marcelo Camelo e Mallu Magalhães
Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
pode ser cruel a eternidade
eu ando em frente por sentir vontade.
Eu quis te convencer, mas chega insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade.
Paper clips and crayons in my bed
everybody thinks that I'm sad
I take my ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together.
I can forget about myself trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
and please my day
I'll let you stay with me if you surrender.
Sempre pronta em ser a favor do contra,
Gostava quando contestava algo atestado.
Se divertia ao criar suas teorias.
Corpo parado, pensamento acelerado.
Inteligente, nunca ficava indiferente.
Às vezes se culpava, se sua opinião não dava.
Consciente dos atritos, ela desrespeitava os ritos.
Mas a opinião dos outros era sagrada, desde que fosse embasada.
Como atualizar algo, se você mesmo está fora do tempo? ![]()
Como colocar conteúdo em algo, se você mesmo está vazio? ![]()
Como dividir idéias, se você mesmo está dividido? ![]()
Como esperar comentários, se você mesmo está sem opinião? ![]()
|
||||
![]() | ||||
|
||||