A GRADUAÇÃO DO AMOR

    

     Farmacêuticos não sabem desenvolver uma fórmula para o amor.

     Psicólogos não sabem interpretar seu verdadeiro significado.

     Engenheiros Civis não sabem a dimensão exata do amor.

     Economistas não sabem ao certo o seu valor.

     Biólogos não sabem como nasce o amor.

     Geólogos não sabem calcular os abalos que ele causa.

     Advogados não sabem como se defender do amor.

     Estilistas não sabem se ele está ou não na moda.

     Físicos não sabem dizer com qual velocidade chega o amor.

     Filósofos não sabem fazer a relação entre o amor e o universo.

     E tudo isso porque o amor não é acadêmico.

     O amor só pode ser amador.

A RAIZ DA QUESTÃO

    

     Seria a tuberculose causada pela ingestão descontrolada de tubérculos?

     E o bulbo, faz a planta ser da família das beduínas?

     As leguminosas, são sempre suculentas e dengosas?

     Se o odor não tem cor, como se explica o cheiro verde?

     Em tempos de pé na jaca, alguém já viu um pé de melancia?

     Se enfrentarmos um problema desde a raiz, é possível colhermos frutos?

DESCRIÇÃO COM DISCRIÇÃO

    

      Por causa de uma pegada no pé, levei um tapa na mão.

     Pra quase tudo que proponho, no princípio eu ouço um não.

     Nunca teve uma tatuagem na nuca.

     Se tivesse, talvez por lá algo mais estaria. E se eu estivesse?

     Minto pouco para manter o louco mito.

     Finjo muito para guardar tudo que sinto.

     Falo tudo o que penso e então me calo.

     Escuto mudo o que não quero e fico puto.

     (Sinto muito pela surra do cinto.)

POR TUDO QUE FOI E PELO QUE NÃO FOI

    

      Escrevo esse texto com uma imensa tristeza. Nesse domingo faleceu uma amiga minha que eu sei que gostava muito de mim. Nós nos conhecíamos desde 1994, quando ela começou a namorar um dos meus melhores amigos do colegial. Esse namoro dos dois rendeu um casamento (que eu acabei sendo convidado para ser padrinho) e um filho. Várias vezes ela me fazia cobranças do tipo "vê se aparece" ou " se a gente não vem aqui você não vai lá em casa nunca". E eu, na correria do dia a dia, me via sem tempo para visitá-los e nas poucas vezes que nos falávamos era pelo telefone. E de uma hora para outra, tudo o que poderia ter sido feito, nunca mais poderá. Me sinto culpado de não ter estado com ela todo o tempo que poderia, de ter sido tão ausente. Me lembro dos momentos engraçados que passamos, das poucas discussões conceituais que tivemos e das comidas que ela fazia e que todos gostavam menos eu (mas eu sou "básico", gosto de comidas simples e isso não é segredo para ninguém).

     Com isso fica a lição, pena que da pior maneira possível : não devemos deixar um simples "oi" para depois, deixar de ver as pessoas que gostamos e que sabemos que gostam de nós, parar de correr tanto atrás de sei lá o que e ter tempo para uma boa conversa ao vivo, e principalmente, nunca deixar de dizer que gosta de alguém quando o sentimento for verdadeiro.

     Agora só me resta acabar esse texto da mesma maneira que acabávamos as nossas conversas pelo telefone, onde ela mandava "lembranças" para todos e eu respondia:

                                "Memories para você também..."

TEMPEROS

    

     Comida simples  ou pessoas complicadas...

     O que é mais saboroso???

     Paz interior  ou raiva exteriorizada...

     Qual tempero é mais devastador???

DOIS MUNDOS

    

     Viviam, ao mesmo tempo, em dois mundos distintos, paralelos como os trilhos de uma linha ferroviária. Um era o "mundo cotidiano", onde tudo acontecia conforme o esperado: os horários, as conversas, as tarefas, as refeições, as regras, etc. O outro mundo era o "mundo paralelo", onde quem determinava as ordens eram eles mesmos: nem sempre sabiam o que iam comer, conversavam sobre coisas que não falavam normalmente com as outras pessoas (os medos, os desejos, as raivas). Porém as coisas nem sempre saíam como eles achavam que deveria ser: o tempo passava mais rápido no mundo paralelo e isso fazia com que eles tivessem vontade de parar o tempo. Além disso, apesar de poder falar sobre qualquer coisa no "mundo paralelo", muitas vezes falavam em códigos que só eles entendiam, já que para as outras pessoas, algumas frases tinham outro significado.

     A vida no "mundo cotidiano" não era ruim, mas de alguma forma, a vida no "mundo paralelo" era mais atraente. Ela achava que isso acontecia porque não havia vida real no "paralelo". Ele sempre tentava prolongar o "mundo paralelo" e ela tentava evitar, mas nem sempre conseguia (ou não queria). Era mais ou menos assim: amavam o "mundo cotidiano" e estavam apaixonados pelo "mundo paralelo".

     Algumas coisas eram mais fáceis no "mundo paralelo": as brigas eram com bom humor e as discussões eram sempre bem resolvidas.O "mundo paralelo" parecia não ter defeitos (talvez os defeitos ainda não tivessem aparecido). Por outro lado, a dor era mais latente e algumas coisas que no "mundo cotidiano" seriam encaradas com mais facilidade, no "parelelo" eram dolorosas só de pensar ( a ausência por si só , por exemplo)

     Um dia, ela confessou que , se pudesse, jamais o teria conhecido, e que talvez essa fosse a única forma de evitar o "mundo paralelo". Já ele, não conseguia ver o mundo sem o "paralelo", mas também não sabia como fazer para o mundo voltar a ser só o "cotidiano" (talvez ele nem quisesse que isso acontecesse). Às vezes os dois mundos eram transportados de um lado para o outro: o mundo de cá e o mundo de lá se alternavam e causavam mais transtornos.

     Como resolver um problema desse? Ele e ela não sabiam a resposta. Talvez fosse um problema sem solução. Talvez nem fosse um problema. Talvez o "mundo paralelo" nunca tenha existido. Talvez eles nem tivessem se conhecido. Talvez esse mundo não faça sentido.

DIALETO

 

     Quando o mundo fica do avesso, como explicar o verbo "emborcar"??

     Quando ficamos saciados de prazer, é preciso explicar o verbo "empanturado"??

      Quando a boca enche d'agua, podendo até babar, é possível não entender o verbo "lambrecado"??

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