RÓTULOS...

    

      Tal qual um produto exposto numa prateleira de supermercado, muitas vezes somos rotulados.

      Rótulos, nos produtos, servem para identificar, informar o conteúdo, diferenciar as marcas e a qualidade.

     Quando os rótulos são colocados nas pessoas, elas acabam se tornando menores do que realmente são, acabam sendo limitadas dentro da rotulagem.

     - Ta vendo? Tinha que ser torcedor daquele time...

     - E aquele cara? Como é histérico, não? Não o imagino de outra forma.

     - Não falei que aquela é burguesinha? Mora lá pros lados da Vila Madalena.

     -Ah, desse jeitão, só pode ser da zona leste. Olha o tipo...

     Não gosto da idéia de “pessoas produzidas em larga escala”. Gosto de camisetas básicas, mas permito-me usar camisetas estampadas.  Existem pessoas parecidas, mas não iguais. Rótulos informam sobre produtos, não sobre pessoas.

 

SMELLS LIKE A TEEN SPIRIT

 

     Amanhã, dia 05/04, faz quinze anos que Kurt Cobain morreu. Me lembro bem de como recebi a notícia: estava ouvindo rádio, a 89 FM (naquele tempo, a "Rádio Rock) e estava prestes a ir pra escola. Eu tinha 17 anos e estava no 3º colegial. O Nirvana era uma das grandes bandas daquela época e junto com o Pearl Jam formava a elite do chamado "Grunge" de Seattle. Era inegável a força daquela banda, que fazia músicas cheias de energia, com um som ao mesmo tempo pesado e melodioso. Seus shows eram verdadeiras surpresas: nunca se sabia se a apresentação seria brilhante e tranquila ou ruim como as que aconteceram aqui no Brasil: no show do Rio, Kurt, visivelmente drogado, mal conseguia cantar as músicas, cuspiu nas câmeras da Globo (que cobria o Hollywood Rock) e saiu se rastejando do palco depois de quebrar os instrumentos (o Nirvana fazia isso habitualmente).

     Com toda essa força, o Nirvana deixou seu nome no mundo do Rock, e a morte de Kurt Cobain foi um choque pra quem estava ligado em tudo aquilo. Era muito estranho saber que um cara, líder de uma banda de sucesso mundial, havia se suicidado (há quem diga que a viúva Courtney Love teria "encomendado" a morte de Kurt. Eu, particularmente, não acredito nisso). Não conseguia entender aquilo tudo. Ele morreu com 27 anos, e eu ficava imaginando o quanto intensa foi sua vida e o quanto jovem ele se foi. A poucos dias de completar 29 anos, eu vi o show do Pearl Jam, que veio da mesma cidade e da mesma época do Nirvana e que eu esperei desde então. Hoje, eu tenho 32 anos, cinco a mais que Kurt quando morreu e tenho certeza que uma vida que acaba aos 27 anos é muito curta.

     Relembrando o Nirvana; meus 17 anos; esse intervalo de quinze anos desde o suicídio de Kurt Cobain até hoje; todos os shows que vi e as pessoas que perdi (conhecidas pessoalmente ou não), me sinto meio que um sobrevivente. Como um bom trintão, devo concluir que é uma pena que não se fazem mais bandas como há quinze anos atrás.

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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ITAIM PAULISTA, Homem, de 36 a 45 anos, Música, Arte e cultura, Futebol

 
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