A LUA CAMINHANDO ETERNAMENTE

 

    

     Ontem fez um mês que Michael Jackson morreu. Passado todo o barulho que foi feito em torno da morte do artista, dá pra fazer uma análise melhor do que ele representou. Nunca fui um grande fã de M.J., mas o fato é que ele é parte da história da cultura pop do século XX.  Me lembro quando foi lançado o disco “Thriller”. Ganhei esse disco na época, eu estava com 7 anos, e o mundo vivia uma verdadeira febre musical que foi causada por Michael, seus clips e suas coreografias. Ouvi muito esse disco, principalmente a faixa que dá título ao álbum, que no final tem uma espécie de “narração de terror” com aquela voz cavernosa que dá a gargalhada famosa (tempos depois fui descobrir que a tal voz é de Vincent Price, ator de filmes de terror que também faz a introdução de “The number of the beast” do Iron Maiden). Eu tinha muito medo dos mortos vivos do clip “Thriller”, que é um verdadeiro curta metragem. Nos programas de auditório da época, eram comuns os concursos para eleger o melhor imitador de M.J., havia crianças e adultos fazendo os famosos passos e gestos do cantor/dançarino/produtor/compositor. Pouco tempo depois, ele voltou a dominar o mundo, dessa vez acompanhado de outros artistas com o movimento que foi batizado de “USA for Africa” com a música “We are the world”. O dinheiro da venda dos discos eram revertidos para o povo africano. Aqui no Brasil teve algo parecido, mas ao invés de um disco, foi lançado um compacto de duas faixas com músicos brasileiros. A música principal era “Chega de mágoa” e o dinheiro das vendas foi para o povo do nordeste (também tive esses dois discos...). E por falar em venda de discos, M.J. foi insuperável. Seus discos venderam milhões de cópias e essas marcas dificilmente serão ultrapassadas, já que hoje em dia o formato digital derrubou as vendas de discos. Assim como seus discos, os vídeoclips de M.J. eram verdadeiros acontecimentos: “Black or White”, por exemplo, teve a estréia transmitida simultaneamente para vários países. Nessa época  Michael, que sempre se cercou de bons parceiros musicais como Ed Van Halen e Paul McCartney no disco “Thriller” teve a colaboração de Slash em “Give in to me”. Talvez esse disco, “Dangerous” de 1991, tenha sido o último grande sucesso comercial de M.J.. É claro que ele ainda vendia milhões de cópias, mas para o “padrão M.J. de vendas” a coisa estava em queda. Foi também nessa época que as polêmicas em torno de Michael ficaram mais expostas do que sua música. Acusado de abuso sexual de crianças e com as mudanças físicas por conta de cirurgias plásticas e do possível vitiligo, M.J.  do século XXI estava cada vez mais diferente dos anos 80 e 90 do século passado. Mas a morte de M.J. mostrou que no final o que vai ficar mesmo é sua obra, suas músicas, seus clips e suas coreografias. Como forma de homenagear Michael Jackson, foi criado o curioso e divertido site Eternal Moowalk (www.eternalmoonwalk.com ), onde é possivel ver pessoas do mundo todo (inclusive vários brasileiros) fazendo o famoso “passo da lua” (que segundo alguns estudiosos não foi criado por M.J. e sim por um dançarino chamado Bill Bailey décadas antes). Se você tem criatividade pra fazer um Moonwalk diferente (tem cada coisa nesse site...), mande também sua contribuição ao som da batida de Billie Jean. Vivo ou morto, Michael Jackson continua fazendo barulho.

AS CORES DA ROTINA

 

      Depois de um mês de férias, conhecendo cada dia um lugar diferente, lá estava ele novamente na sua mesa, no escritório que já conhecia tão bem. O trabalho, que de certa forma tornava todos os dias iguais, tinha sempre alguma coisa diferente, algo que fazia com que a rotina valesse à pena. Uma dessas coisas era aquela mulher, que ele observava através da divisória de vidro. Era todo o dia a mesma mulher, mas ele sempre observava algo diferente em seu visual. No dia de seu retorno, chamou a atenção sua roupa de tons escuros, a blusa preta, colar da mesma cor, que combinava com a calça levemente cinza. Memorizava até calça que ela usava. Em seu “catálogo” as tais eram classificadas como “a que fica melhor com a blusa tal” ou “a sem bolso na frente, com bolso atrás”. No segundo dia, por exemplo, ela usava a calça que para ele era a favorita, uma jeans com botões cor de creme. Mas ele não conseguia tirar os olhos do lenço preto com bolinhas brancas que ela usava no pescoço. Era impossível para ele não fazer um comparativo com o futebol, já que nesse dia ela usava uma blusa verde por cima de uma camisa branca e ele logo pensou: “Até no figurino dela o alvinegro fica acima do alviverde...”, Quando ele achava que ela havia chegado ao auge, ela sempre aparecia com uma surpresa visual. No dia seguinte ao dia das cores futebolísticas, ela apareceu com um belo cachecol, provavelmente feito à mão com um carinho só não maior que o carinho que ele gostaria de fazer com suas mãos no belo pescoço agora coberto pelo tal cachecol.  Ele observava tanto essa mulher que ele a considerava próxima, mesmo ela estando distante física e afetivamente. Com essa mulher ele trocava poucas palavras, coisas profissionais ou corriqueiras, do tipo “vai cair uma chuva, né?” ou “o metrô vai entrar em greve”. Mas às vezes, raras vezes, em função do trabalho, ele ouvia um elogio dela. Logo no segundo dia do seu retorno, por exemplo, ouviu um “você é a melhor pessoa que eu conheço para interpretar esses documentos”. Esse comentário fez com que ele ficasse tão sem jeito que seu rosto ficou automaticamente vermelho. Mas tão rápido com que seu rosto voltou à coloração normal, ela voltou ao seu departamento e ele a sua mesa, de onde ele a observava através do vidro, esperando pelo novo diferencial que fazia os dias iguais serem sempre diferentes...

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