INTOLERÂNCIA MUSICAL

     Faz uns dias que eu estava pensando em escrever sobre esse tema: a intolerância na música. Comecei a pensar nisso quando vi uma declaração do Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas, criticando bandas como Fresno e Restart cujos integrantes, segundo ele, são Barbies e não deviam existir. Nessa semana, saiu uma matéria no UOL sobre uma versão de “Back in Black” do AC/DC feita pelos Detonautas, que ganhou uma letra em português criticando a juventude e o cenário musical atual. A tal versão ganhou várias críticas (eu também não gostei) e os Detonautas se revoltaram novamente dizendo: “Adoro ler essas críticas desses roqueiros de gavetas que não fazem p**** nenhuma pelo rock no Brasil. Estamos tentando mudar a cena e vocês nem ajudam, só criticam! Então vai escutar emo nas rádios”. Pergunto: e quem disse que cabe a eles essa mudança de cena? O Tico Santa Cruz participou da “Fazenda”, o reality show da Record. Tem moral pra dizer o que deve ou não aparecer nas rádios e na TV? Porque eu imagino que ele esteja falando desse tipo de cena (TV e rádios super comerciais).  Digo isso pelo simples fato de ouvir rádio o dia todo e não ter contato nem com a música que ele critica nem com a dele. E aí é que mora o segredo: cada um ouve e vê o que quiser. Eu não gosto da Fazenda, do BBB e de outras coisas assim, mas quem quiser que veja. Quem quiser ouvir a banda X ou Y, que ouça. Os carinhas do Restart não enganam ninguém. Ou alguém acha que eles tem a pretensão de ser uma mega banda para um público além dos 13 ou 14 anos? A mesma coisa acontece com a insistência do Lobão em descer a lenha em meio mundo: dia desses ele estava malhando o Luan Santana, falando sobre ‘agrobrega’ e coisas assim. Eu não ouço Luan Santana, não gosto desse rótulo de ‘sertanejo universitário’ (ou qualquer outro estilo que venha acompanhado dessa graduação), mas acho que, quem quiser ouvir, faça bom proveito. Repito: ouço rádio e música a maior parte do dia e não tenho contato com músicas e músicos que não me agradam. Basta escolher o que quer ouvir.  Curiosamente, me deparei na internet com um nome de banda que me chamou a atenção: “A Banda Mais Bonita da Cidade”. Fui ler uma matéria sobre a tal banda de Curitiba e descobri que está rolando um sucesso na internet graças a um clip simples (a música se chama “Oração”), gravado numa casa com a participação amigos da banda. Como sempre, tem quem goste e quem não goste, e as críticas vieram (viu que não é só com você, Tico?), dizendo, entre outras coisas, que o clip parece um ‘comercial de margarina’. Mas, ao contrário dos Detonautas, a vocalista da Banda Mais Bonita responde às críticas dizendo: “Registramos a festa da banda. Quem puder aproveitar nossa festinha vem, quem não puder pode arranjar outra”. Simples assim. Sem stress.

     Moral da história: já pensou se todos gostassem do Chico e ninguém do Latino? Ou só assistissem Café Filosófico e não o BBB? Confesso que seria ótimo se fosse assim, mas não é. E pra isso existe o controle remoto. Que já é remoto pra não ficar na mão de ninguém.

 

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